terça-feira, 24 de julho de 2007

DECO, uma instituição que continua do lado do consumidor


Os preços dos medicamentos não sujeitos a receita médica têm aumentado desde que há dois anos passaram a ter venda livre e é nas farmácias que se verificam as maiores subidas, revela um estudo da associação do consumidor.

A Deco Proteste analisou os preços dos 20 medicamentos não sujeitos a receita médica mais vendidos em 2005 e concluiu que subiram em média 3,5 por cento desde que passaram a ter preço livre e a ser vendidos fora das farmácias. De acordo com um comunicado da associação de consumidores, "ao contrário do que pretendia o Governo", os preços não desceram de forma generalizada depois da sua liberalização, já que dos 20 medicamentos analisados pela DECO, apenas nove baixaram o preço médio.

O estudo, que será publicado na edição de Agosto da “Teste Saúde”, revela que a maior redução foi de cerca de oito por cento no medicamento Ilvico N, mas que em contrapartida os aumentos foram bastante superiores, com vários mediamentos a ultrapassar os 20 por cento. As subidas mais acentuadas verificaram-se no Antigripine (42 por cento), na Aspirina (27 por cento), Thrombocid (25 por cento) e Bisolvon (21 por cento). Farmácias comercializam 95 por cento dos fármacos não sujeitos a receita médica Por estabelecimento, foram as farmácias que registaram a maior subida, com preços médios 6,3 por cento mais elevados do que os últimos valores fixados pelo Estado. Fora das farmácias, o crescimento ficou-se pela média de um por cento, o que se deveu sobretudo aos valores apresentados pelas cadeias Vale e Dantas (Pingo Doce), Jumbo e Modelo/Continente, de quatro e cinco por cento abaixo dos cobrados antes da liberalização. Excluídas estas cadeias, o aumento global dos medicamentos fora das farmácias ronda em média os quatro por cento. Segundo a revista “Teste Saúde”, o domínio das três cadeias nas vendas fora das farmácias e na descida de preço fragiliza a concorrência: "se depois de consolidarem a sua posição no mercado, estes estabelecimentos aumentarem as margens de lucro, desaparecem os poucos benefícios da liberalização".

Contudo, as farmácias ainda comercializam 95 por cento dos fármacos não sujeitos a receita médica, devido à tradição e ao prestígio que gozam junto dos consumidores, afirma a associação.

A Deco Proteste obteve os preços em Maio de 2007, através de questionário enviado a uma amostra representativa das farmácias (330) e lojas autorizadas pelo Infarmed a vender medicamentos não sujeitos a receita médica (205). A este questionário responderam 110 "não farmácias" e 97 farmácias.


in Público de hoje

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